Hoje saí com dois amigos (e duas amigas deles). Fomos à Lucky Scope, em Guarujá.
Chuva, lugar não muito cheio... pouca expectativa.
Depois de um tempo, achei que a noite não ia ser tão boa... Me senti uma porcaria. Fui andar.
Lá fora, pedi licença a dois rapazes que estavam sentados em uma mesa que tinha uma cadeira livre. Prometi que ficaria calada e não atrapalharia sua conversa. Meus olhos começaram a encher de lágrimas.
Começaram a falar comigo. Perguntando o motivo do choro. - Claro que é homem... que dúvida! Quem eu quero não me quer, quem me quer eu não quero... blá blá blá blá blá...
Um dos rapazes puxou minha cadeira para perto dele. Encostou minha cabeça em seu peito. Chorei mais ainda. Me chamou para dar uma volta. Ele me parou, me beijou. Beijo muito gostoso, abraço forte. Moço alto. Não conversamos. Dele só sei seu nome: Júlio.
Olho para o lado. Uma das meninas que veio comigo viu. Sorriu. Me despedi dele. Voltei para a pista de dança com ela.
Depois de um tempo resolvi andar novamente. Sozinha. Sempre sozinha. Um moço me parou. Falou que eu era bonita. Ri. Ele continuou a conversar. Tinha um nome francês. Não me lembro agora. Tentou me beijar. Eu não quis. Quando olho para o lado, vejo aquele por quem meu coração bate mais forte descer a escada. Não tive dúvida. Beijei o do nome francês.
Voltei para a pista. Fui atrás de quem realmente me interessa. Ele disse não. Perguntei se não sentia nada por mim. Ele disse que sim. Perguntei se não me queria. Ele também disse que sim. Era o que eu precisava ouvir naquela hora. Perguntei por que não ficava comigo. Ele disse que estava cumprindo a promessa que o pedi para cumprir: mesmo que eu chegasse nele, que ele não cedesse. Homem de palavra. Droga.
Pela terceira vez fui andar. Outro moço me brecou. Desse consegui saber muitas coisas. Moço interessante. Beijos, carinhos, abraços. A amiga que me viu com o primeiro passou de novo. Disse que queria ir embora. Me despedi.
Fomos para o carro. Eu e ela. Os outros três ainda foram pagar. Ficamos esperando no carro. Ela me perguntou quantos eu havia beijado. Três. Ela me disse que não tinha o jeito, que queria aprender. Perguntei sua idade. 20 anos. Falei que ela era nova, que ainda iria aprender. Perguntou a minha idade. Perguntei quanto ela achava que eu tinha. 25. Eu disse que tinha 32. Ela se surpreendeu. Disse que quer ser como eu: bem resolvida, com auto-estima "em alta". Eu respondi que só a vida a iria ensinar.
Cheguei em casa pensando: para que me martirizar com pequenas coisas? Eu sou realmente dona de mim. Sei seduzir, sou desejada... sou uma balzaquiana! E, enquanto o amor não vem... assim vou viver!
"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz... obedece a um sentimento consciente. Escolhe... dando-se. A mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar... Uma mulher... se esconde sob mil véus... Afaga todas as vaidades... Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens de sua posição, a mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça"
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