quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Rio

Hoje de manhã tive consulta médica, rotina que sigo há alguns anos a fim de realizar o famoso check-up anual, ou semestral, dependendo da área.

Este médico que consulto já me trata há mais de 10 anos e sempre me olhou de forma holística, quer dizer, sempre olhou para minha saúde corporal de uma forma mais ampla, de forma global e além disso, olha para minha alma, meus sentimentos e de uma forma bastante peculiar.

Porém hoje, o que mais me chamou a atenção foi uma frase que ele, o médico, disse logo no início da consulta. Depois de me perguntar se eu estava bem, sobre meus filhos e se eu ja havia retomado a rotina de trabalho, ele disparou:

- Tem uma frase muito antiga mas que deveria estar na moda hoje. Dani, "as pessoas ao verem um rio revolto, logo comentam que suas águas são violentas, mas ninguém comenta sobre a violência das margens que o contém"...não é verdade? Já pensou nisso?

Consulta ginecológica que mexeu com minha mente...como sempre!

De uma forma diferente eu já havia pensado sobre isso sim, mas agora dito por outra pessoa, parecia tao mais concreto, tao mais real...e fiquei pensando nas margens que me contiveram estes anos todos.

Percebi que o maior esforco que devo fazer na vida e para afastar estas margens que me contém, não que eu seja um rio revolto (às vezes até sou sim!), mas pensando no rio como sendo meu dia a dia, minha vida, associo a ideia de atividade, de prosseguimento não necessariamente com violência, mas de forma ativa, consciente. Penso que todos nós temos margens que nos contém, devemos perceber que margens são estas, e ir afastando-as, alargando-as, para realmente deixar a água correr ocupando todo espaço que lhe cabe.

No final da consulta, ele ainda me diz: - Dani sinto que você esta mudando, mais devagar do que voce poderia, mas está mudando...Sabe que não tem nada melhor do que ser livre?
Daí lembrei da letra de uma música: "...Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só pra se viver? Qual o sentido da realidade? Será preciso ficar só pra se viver?..."

Talvez ficar só, nos ajude a alargar as margens que nos contém....

Assim, achei algo para fazer enquanto o amor não vem, alargar as margens que me contém...

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