quarta-feira, 22 de junho de 2011

Declarar, prover e proteger....

Ultimamente tem pairado no ar a ideia de que nós mulheres é que estragamos tudo nos relacionamentos modernos....Será?
Tenho uma forma de olhar o mundo diferente, talvez condicionada pela profissão, nunca acredito em nada nem duvido de tudo, pondero....
Procuro analisar as situações, as ideias, as modas e depois de um pequeno gap, posiciono-me.
Livros, cinema, roda de amigos, só tenho visto o seguinte: as mulheres assustam os homens.
Credo! Me imagino a Cuca do Sitio do Pica Pau Amarelo assustando os homens, será?
Essas observações me fizeram perceber que algumas coisas que estão sendo ditas são verdadeiras. Não que eu concorde que estragamos os relacionamentos,de jeito nenhum, mas esta faltando sensiblidade para entendermos o sexo frágil, o masculino....
Por exemplo, ouvi, li e vi que os homens são seres básicos, quer dizer o pensamento e os desejos masculinos são na verdade bem simples (leiam mais em Steve Harvey, Comporte-se como uma dama, pense como um homem, Ediouro, 2010)
Pelo que entendi os homens só querem poder declarar (a forma deles é claro!) que somos suas, e isso significa nos afastar dos outros homens, fazer xixi na árvore para demarcar o território sabe?
Querem poder nos prover em termos financeiros e nos proteger, mesmo que seja daquela barata que nos assusta terrivelmente.
Eu mesma tenho vivido uma relação na qual o homem quer sim prover, proteger e declarar, e eu nego o tempo todo...caramba!!!!
Então amigas, vamos ligar nossas antenas e perceber nas atitudes deles a tal da declaração, as tentativas de proteção e o macho protetor que esta ali ao nosso lado....vamos usar nossa inteligência e nossos pensamentos não tão básicos assim para sermos felizes, aí o amor vai chegar mais rápido.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cotas de Felicidade

Quantos momentos de felicidade uma pessoa pode ter na vida?

A felicidade é momentânea, periódica ou existe uma felicidade contínua, que perdure anos a fio?

Tenho minha opinião... Para mim a felicidade é momentânea e periódica, ou seja, passamos épocas de nossas vidas felizes. Temos variações de intensidade deste sentimento, mas ele não perdura a vida toda continuamente, a felicidade vai e vem, adoça nossa boca e salga nosso olhar. Acho que seria até patológico sentir-se feliz o tempo inteiro com tantas mazelas no mundo a nossa volta.

Porém, aqui neste espaço, me permito “ensimesmar-me”. Sim, pensar em mim como o centro do universo e me preocupar com meus sentimentos apesar da barbárie generalizada que me rodeia.  Permito-me em um ato de egoísmo puro e consciente, pensar: o que tenho feito com os meus dias? Tenho sido feliz? Quanta felicidade já tive? Quanta ainda me aguarda? Tenho cota finita de felicidade? Por que, a vida caprichosa, me mostra possibilidades e depois as impossibilita de forma cínica? Testes???

Há muito tempo que considero que a felicidade é uma questão de escolha. Posso decidir se vou ser feliz ou uma miserável sofredora, depende de como encaro os problemas... Onipotência? Ingenuidade? Não sei...

Já tive muitos momentos bastante felizes. Da infância não me recordo muito, mas já adolescente lembro-me do primeiro amor, dos encontros com amigos, da entrada na faculdade, estes momentos mais comuns à maioria das pessoas, já os mais pessoais e atuais, envolvem o olhar e a presença dos meus filhos, acordar com o cheiro de café, passear pela praia em um lindo dia de sol, a conversa sincera com uma amiga, na verdade não daria para elencar aqui todos os motivos, são muitos os momentos que me deixam feliz.

Sendo assim sou feliz o tempo todo... não sou?

Um amigo me disse uma vez:- Dani, seu problema é que você pensa demais!

Será?

É sim. Penso o tempo todo! E ultimamente tenho pensado que a felicidade é finita, cada pessoa tem uma cota na vida. Alguns têm mais que outros, mas não é assim com tudo? Porque não seria com a felicidade também?

Não que em um momento da vida a gente "acaba" de ser feliz, acho que o problema é que quando as situações que nos deixam feliz vão ficando cotidianas, passamos a banalizá-las, então a felicidade diminui e precisamos de novidades para nos sentirmos felizes novamente. Dai começamos a procurar a antiga sensação em diferentes lugares e em diferentes pessoas e claro, não achamos.

Foi isso que fiz nestes últimos quatro meses, coloquei minha felicidade nas mãos de outra pessoa e quando esta pessoa cruelmente, me disse que minha vida não se encaixava na dela, minha felicidade se foi.

Minha cota acabou? Será?

Acho (espero) que não...

Dai me resta a lição, e novamente a escolha.

Preciso aprender a renovar a felicidade  que já tenho em mim, se a vida me reserva novas cotas de felicidade, ótimo, mas não posso ficar esperando ela chegar, porque o tempo não pára. Ser feliz a cada momento com a felicidade que tenho em mim, e não com aquela idealizada.

"A dor é inevitável, o sofrimento opcional...." (Carlos Drumond de Andrade)




sábado, 19 de fevereiro de 2011

Hoje não quero beijar!

Fomos a uma festa durante esta semana e logo que encontrei minhas amigas disse à elas: - Meninas, hoje não quero ficar com ninguém...nada de beijar hoje, "tô" sossegada!

Claro que elas riram e disseram: - Você?! tá bom....

Mas era isso mesmo. Tenho percebido que ao ir para uma festa ou balada e dançar, conversar com muitas pessoas, passear pelo local é muuuito divertido. Claro que beijar é ótimo, adooooro, mas às vezes limita a diversão.

Pois bem, cheguei à festa na intençao de ficar tranquila, sozinha, retribuia os olhares mas nada demais! Dancei, bebi duas cervejas e depois só água e refrigerante, então segurei a onda de não beijar ninguém, porque embriagada é mais dificil não beijar...concordam?

Fui abordada por alguns homens, conversei, paquerei, dancei e não beijei. Tudo isso me sentindo ótima...

Os caras não acreditavam que eu não queria beijar, quase ficavam inconformados, insistiam, tentavam e eu dizia - Moço, estou tranquila hoje, em abstinência de beijo, quero dançar, te dou meu telefone, conversamos depois e se der saimos, podemos até nos beijar, mas hoje não quero!

Eles sentiam-se desprezados e diziam que eu não havia gostado deles, mas não era isso.

Agora pra mostrar que gosta da pessoa tem que beijar? Acabei de conhecer e tenho que beijar? E o que digo, não vale nada?

É muito estranho isso tudo não é? Eu acho...

Conheço algumas pessoas que se não beijarem alguém na noite, dizem que de nada valeu. Credo!

Minha amiga disse que estou apaixonadinha, por isso nao queria beijar, mas também não é isso. Pensamos também que eu poderia estar cansada e desanimada...Também não!

Estou apenas descobrindo a alegria de ficar comigo mesma... A beleza de aproveitar uma noite de forma singela, dançando, coversando.

Que fique bem claro: não estou fechada a relacionamentos, só não queria beijar alguém para ver como é...

Preciso falar que foi uma noite ótima, me diverti muuuuito, aconteceram coisas incriveis que eu nem imaginava. E eu felizona, comigo mesma.

Pessoas, recomendo a felicidade de sair por ai com você mesmo, sem depositar as esperançase de uma noite feliz, de uma tarde proveitosa em outras pessoas ou em determinado acontecimento.

Não beijar foi uma excelente opção naquela noite....

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Periguete... o que é isso agora?

De uns tempos para cá tenho escutado um termo o qual tem sido muito utilizado nos meios sociais: PERIGUETE.

Parei para pensar nisso pois, conversando com alguns amigos, percebi que ficamos sempre falando algumas palavras dessas: periguete, deselegante, fragolina (em homenagem à esposa do personagem italiano de uma novela que era bígamo, e uma das mulheres era doida por sexo)... enfim.

Relembrando o post anterior a este, o qual minha amiga teve o sovaco cheirado, me lembrei que usei esta abordagem (a do "o que há de errado comigo?") com um rapaz muito fofo que eu vi na balada em que estávamos:
- Oi... posso te perguntar uma coisa?
- Claro!
- O que há de errado comigo?
- Como?
- O que há de errado comigo? O que tenho de errado?
- Hum... (me pegou pela mão e me virou...) nada!
- Então posso saber por que estou te olhando desde que cheguei e você nem me viu?
Gargalhadas...

Conclusão: ele foi o rapaz de 26 anos que eu acabei ficando a noite toda e ainda me comunicando por uns dias via telefone. Uhuuu!!!

Aí fiquei pensando: será que agi como periguete?

Mas... o que é, afinal, uma periguete? Como identificar uma?

Procurando no dicionário inFormal ( http://www.dicionarioinformal.com.br/ ) achei:
corruptela de "perigoso"=aquele que causa perigo mais "guete"= boca mole, aquele que fala demais, tegarela: rameira, prostituta, piranha, pistoleira; perua; fofoqueira, bisbilhoteira, fuxiqueira, mexeriqueira; mulher que frequenta bares noturnos em busca de namorado.

Uma definição um tanto quanto ampla, não? Além de beeeem pejorativa.

Quer dizer que, ao sair com minhas amigas pelas noites afora em barzinhos e baladinhas, eu estou sendo uma periguete? Só porque quero conhecer alguém legal?

Conheço algumas periguetes. Essas só querem saber de caras com carro, que possam buscá-las e bancar a noite delas. Vááárias vezes eu as vi pegando as bebidas deles, se aproveitando de algumas situações... Muitas vezes elas vão com eles para as baladas e lá os deixam de lado para "periguetear" atrás de outros homens. Na hora de ir embora voltam para os caroneiros, porque eles as deixam nas portas de suas casas (seja onde for!!!)

A periguete, muitas vezes, não fica com ninguém. Ela quer se sentir desejada por muitos homens, mas não dá a chance de conhecer nenhum um pouco mais. O negócio dela é seduzir, não importando quem está perto. Já vi periguetes seduzirem garotos com a namorada ao lado; periguetes que rebolam para todos sem motivo; que fazem caras, bocas e sorrisos e, quando alguém chega, ela sai.

Periguetes também só olham os caras pela conta bancária. Ao chegar nos lugares elas ficam de olho nos carros que param, só para marcar o rosto de quem sai dele. Dentro dos lugares, o lance é olhar o que eles bebem (a bebida diz muito sobre o nível social da pessoa) e atacar somente quando achar que vale a pena.

Será que elas são felizes? Tá, elas conhecem muitas pessoas, mas superficialmente, não se apegam a ninguém por afeição (e, muitas vezes na vida, precisamos de colo, não de conta bancária)...

Eu, ainda, estou procurando alguém para me completar ... e não para pagar minhas contas.

O Rio

Hoje de manhã tive consulta médica, rotina que sigo há alguns anos a fim de realizar o famoso check-up anual, ou semestral, dependendo da área.

Este médico que consulto já me trata há mais de 10 anos e sempre me olhou de forma holística, quer dizer, sempre olhou para minha saúde corporal de uma forma mais ampla, de forma global e além disso, olha para minha alma, meus sentimentos e de uma forma bastante peculiar.

Porém hoje, o que mais me chamou a atenção foi uma frase que ele, o médico, disse logo no início da consulta. Depois de me perguntar se eu estava bem, sobre meus filhos e se eu ja havia retomado a rotina de trabalho, ele disparou:

- Tem uma frase muito antiga mas que deveria estar na moda hoje. Dani, "as pessoas ao verem um rio revolto, logo comentam que suas águas são violentas, mas ninguém comenta sobre a violência das margens que o contém"...não é verdade? Já pensou nisso?

Consulta ginecológica que mexeu com minha mente...como sempre!

De uma forma diferente eu já havia pensado sobre isso sim, mas agora dito por outra pessoa, parecia tao mais concreto, tao mais real...e fiquei pensando nas margens que me contiveram estes anos todos.

Percebi que o maior esforco que devo fazer na vida e para afastar estas margens que me contém, não que eu seja um rio revolto (às vezes até sou sim!), mas pensando no rio como sendo meu dia a dia, minha vida, associo a ideia de atividade, de prosseguimento não necessariamente com violência, mas de forma ativa, consciente. Penso que todos nós temos margens que nos contém, devemos perceber que margens são estas, e ir afastando-as, alargando-as, para realmente deixar a água correr ocupando todo espaço que lhe cabe.

No final da consulta, ele ainda me diz: - Dani sinto que você esta mudando, mais devagar do que voce poderia, mas está mudando...Sabe que não tem nada melhor do que ser livre?
Daí lembrei da letra de uma música: "...Qual o segredo da felicidade? Será preciso ficar só pra se viver? Qual o sentido da realidade? Será preciso ficar só pra se viver?..."

Talvez ficar só, nos ajude a alargar as margens que nos contém....

Assim, achei algo para fazer enquanto o amor não vem, alargar as margens que me contém...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

PARA TODAS MINHAS GRANDES AMIGAS:

Recebi esta mensagem de uma querida amiga durante um final de semana "abençoado" que vivi...Tinha a tarefa de escolher 12 mulheres (que hajam marcado minha vida de uma ou outra forma) e que, creio, queiram participar. Creio que se este grupo de mulheres estivesse em uma casa, juntas, nada seria impossível.



Em seu livro, Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola escreveu algo que muito me agradou :


"Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto."

"Desejo que hoje experimentes paz dentro de ti, que confies que te encontras exatamente onde deves estar, que não te esqueças das possibilidades infinitas que nascem da confiança em ti mesma e em outras/outros que utilizes nos dons que recebeste, e que transmitas a outras/outros o amor que te foi dado. Desejo que estejas feliz contigo mesma pelo que és. Deixa esta sabedoria assentar-se em teus ossos e deixa que tua alma cante, baile e ame livremente. Está ai para cada uma de nós."

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Será que tem alguma coisa errada comigo?

Lendo o texto da minha amiga e companheira de aventuras, lembrei de uma passagem sensacional que devo, observem, DEVO dividir com outras pessoas.
Saímos um sábado e fomos à uma balada legal em São Paulo.
Tivemos informações de que nessa balada, a faixa etária passava dos doze anos(brincadeira hein, é assim que eu e minha amiga nos referimos aos caras que encontramos na noite, olhamos, achamos bonito e logo concordamos: 12 anos!)
Mas voltando ao assunto, chegamos lá, observamos o local, realmente havia um pessoal um pouco mais velho do que costumamos encontrar, entre os 35 e 40 anos, td de bom...homens e mulheres com mais de 12 anos e bonitos, alegres, festejando. O ambiente também contribuía com o clima agradável.
Fomos até o bar, estratégia clássica de circulaçao e sondagem, e notamos que apesar de bonitas e atraentes, os homens mais velhos, que esperávamos conhecer nem olhavam pra gente... Dai pinta a dúvida: o que temos de errado?
Só que ai ja tínhamos tomado alguns mililitros alcóolicos e as ideias sem noção se aproveitam da gente neste momento.
Olhamos para três caras que passavam por nós nos olhando com interesse, e disparamos a pergunta em um momento de comunhão intelectual alcóolica:
- Moços, tem algo errado com a gente?
Eles sem entender nada é claro, disseram que não, mas pra nossa surpresa, resolveram conferir...
Aí amigos, vejam o que não fazer com moças em uma balada, e amigas, nunca armem ciladas para voces próprias.
Em um impulso, provavelmente alcóolico também, um dos caras pegou meu braço, levantou e cheirou, isso, cheirou minha axila, dizendo que não, que éramos cheirosas, lindas, blá, blá, blá e que não tinha nada errado com a gente...
Agora me respondam: - Dá pra ser feliz?
Os caras cheiraram meu sovaco....
Cade a delicadeza? o charme masculino? Levantamos a bola e eles não nos seduziram... porque está claro que queríamos ser seduzidas..e os caras cheiram nosso sovaco...
A pessoa se arruma, põe vestidinho bacana, sapatos de salto altíssimo que deixarão seus dedos dormentes no dia seguinte se produz e tem o sovaco cheirado... nao é possível, mas foi!
Então, nem eles nem nós conseguimos levar a conversa adiante porque depois desta estranha situaçao concluímos em meio a risadas, que era melhor dar uma circulada.
A noite foi boa...conhecemos pessoas muuuito legais nesse dia, acabamos a noite com o telefone de uns caras bem interessantes, um de 19 outro de 26 anos...

Mulheres Amaldiçoadas

Costumo pensar bastante sobre quanto tempo na vida dedicamos a sofrer pensando sobre as coisas que vivemos ou nao vivemos? Daí, em uma análise muito rápida concluo: tempo demais!

Sofremos porque nosso bumbum/peito/pernas/nariz, é isso mesmo, nariz,é maior ou menor do que gostaríamos, porque nosso cabelo não é liso (ou cacheado) como desejamos no momento, inclusive isso merece um parágrafo especial que vou lembrar de escrever em outro momento. Sofremos porque queremos alguém que não nos quer, porque ninguem nos quer e até sofremos porque alguém que não queremos nos quer!? É possivel?

De qualquer maneira não vou dar conselhos até porque vamos todos continuar pensando e sofrendo...mas tenho uma teoria.
Minhas amigas riem e dizem para eu nao falar isso, mas a cada dia me convenço mais sobre o fato.

La no céu, na fila que certamente enfrentamos para escolher as provações, atributos, parceiros, felicidades que viveremos na nova vida terrena, o burocrata celestial nos pergunta:

- Boa alma feminina, quais atributos pessoais você deseja? Aí nos animamos e logo pedimos:
- Quero ser bonita, inteligente, alegre, batalhadora, bondosa...e antes que continuemos, somos interrompidas:
- Ah não dáááá! Bonita e inteligente, não vai dar...é regra, desculpe. Ou você ganha concurso de beleza ou ganha o nobel em alguma área científica,temos que compartilhar minha filha, dividir os meios de produçao.....pensar e encantar de boca fechada não dá!
- Porque? não tem uma forma de mudar isso, é injusto!
- Bom, tem sim, mas não sei se vai gostar.
- Diga, posso analisar e ai decidir...me dê o direito de escolher!
- Então... posso te dar beleza e inteligência, mas daí tenho que te amaldiçoar!
- Ai que péssimo, uma maldição?!
- Nao disse....
- Mas como seria essa maldição? Quero muito ser bonita e inteligente.
- Filha., é autoexplicavel....sendo você bonita e inteligente nunca vai cair, por exemplo, nas lorotas que as almas masculinas tentarem te contar, jamais vai acreditar no amor fiel, dificilmente vai cair em cantadas sem saber que é uma fria enorme e que você vai se dar mal, até momentos românticos você vai analisar criticamente, enfim, um atributo destrói as benfeitorias que o outro traz. Eles se anulam!
- Até agora só vi a inteligência agindo, como a beleza pode atrapalhar?
- Então, quando voce é bonita muitas pessoas se aproximam, muitas portas se abrem e você acha que está com tudo, sua autoestima fica no topo do possivel (nao caimos na falta de noção porque a inteligência não permite), você fica bem, fica "se achando", acredita que está com tudo e realmente você esta com tudo! Você é linda! Encantadora! Ai se joga, de cabeça em uma fria maior que a outra, se doa pra um cara pior que o outro, estes só estao atrás de sua beleza, quando percebem que voce é inteligente, SOMEM, porque mulher bonita e inteligente nao da...eles nao suportam.
- E olha minha filha, só estou falando sobre o aspecto de relacionamento entre homens e mulheres, ainda tem questões no seu emprego, na sua familia, com seus filhos, é coisa que não acaba mais. Eu te aconselho a desisitr porque a maldição é forte. Pega geral!
- Entao é isso? Se eu for bonita anula minha inteligência e se eu for inteligente os efeitos da minha beleza serão anulados? Mas que droga!!!! e após um significativo momento de silêncio perguntamos:
- Posso voltar pro fim da fila?

- Porque? vai demorar para chegar sua vez de novo, voce nao quer "descer" não esta consada desta espera? Nao entendeu as orientaçoes??
- Nada, só quero pensar mais um pouco sobre a maldição....

Eu acredito que a maioria das mulheres escolhe ser amaldiçoada, só tem esta explicação. Olho para os lados (e para mim mesma) e vejo mulheres lindas e inteligentes, que cuidam de suas familias, de suas carreiras, administram suas casas, estão com o cabelo que lhes cai melhor, com a maquiagem perfeita e os sapatos, ah! estao com os sapatos mais adequados ao momento, e mesmo assim não se sentem plenas...só pode ser a maldiçao...
Então, quando levanto em um dia desses, que os efeitos de anulaçao tentam me confundir, penso na fila, penso na maldição e toco o barco pensando:
- Sou amaldiçoada mesmo!

domingo, 2 de janeiro de 2011

A mulher de 30 anos

Hoje saí com dois amigos (e duas amigas deles). Fomos à Lucky Scope, em Guarujá.
Chuva, lugar não muito cheio... pouca expectativa.

Depois de um tempo, achei que a noite não ia ser tão boa... Me senti uma porcaria. Fui andar.

Lá fora, pedi licença a dois rapazes que estavam sentados em uma mesa que tinha uma cadeira livre. Prometi que ficaria calada e não atrapalharia sua conversa. Meus olhos começaram a encher de lágrimas.

Começaram a falar comigo. Perguntando o motivo do choro. - Claro que é homem... que dúvida! Quem eu quero não me quer, quem me quer eu não quero... blá blá blá blá blá...

Um dos rapazes puxou minha cadeira para perto dele. Encostou minha cabeça em seu peito. Chorei mais ainda. Me chamou para dar uma volta. Ele me parou, me beijou. Beijo muito gostoso, abraço forte. Moço alto. Não conversamos. Dele só sei seu nome: Júlio.

Olho para o lado. Uma das meninas que veio comigo viu. Sorriu. Me despedi dele. Voltei para a pista de dança com ela.

Depois de um tempo resolvi andar novamente. Sozinha. Sempre sozinha. Um moço me parou. Falou que eu era bonita. Ri. Ele continuou a conversar. Tinha um nome francês. Não me lembro agora. Tentou me beijar. Eu não quis. Quando olho para o lado, vejo aquele por quem meu coração bate mais forte descer a escada. Não tive dúvida. Beijei o do nome francês.

Voltei para a pista. Fui atrás de quem realmente me interessa. Ele disse não. Perguntei se não sentia nada por mim. Ele disse que sim. Perguntei se não me queria. Ele também disse que sim. Era o que eu precisava ouvir naquela hora. Perguntei por que não ficava comigo. Ele disse que estava cumprindo a promessa que o pedi para cumprir: mesmo que eu chegasse nele, que ele não cedesse. Homem de palavra. Droga.

Pela terceira vez fui andar. Outro moço me brecou. Desse consegui saber muitas coisas. Moço interessante. Beijos, carinhos, abraços. A amiga que me viu com o primeiro passou de novo. Disse que queria ir embora. Me despedi.

Fomos para o carro. Eu e ela. Os outros três ainda foram pagar. Ficamos esperando no carro. Ela me perguntou quantos eu havia beijado. Três. Ela me disse que não tinha o jeito, que queria aprender. Perguntei sua idade. 20 anos. Falei que ela era nova, que ainda iria aprender. Perguntou a minha idade. Perguntei quanto ela achava que eu tinha. 25. Eu disse que tinha 32. Ela se surpreendeu. Disse que quer ser como eu: bem resolvida, com auto-estima "em alta". Eu respondi que só a vida a iria ensinar.

Cheguei em casa pensando: para que me martirizar com pequenas coisas? Eu sou realmente dona de mim. Sei seduzir, sou desejada... sou uma balzaquiana! E, enquanto o amor não vem... assim vou viver!

"Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz... obedece a um sentimento consciente. Escolhe... dando-se. A mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar... Uma mulher... se esconde sob mil véus... Afaga todas as vaidades... Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens de sua posição, a mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça"