sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cotas de Felicidade

Quantos momentos de felicidade uma pessoa pode ter na vida?

A felicidade é momentânea, periódica ou existe uma felicidade contínua, que perdure anos a fio?

Tenho minha opinião... Para mim a felicidade é momentânea e periódica, ou seja, passamos épocas de nossas vidas felizes. Temos variações de intensidade deste sentimento, mas ele não perdura a vida toda continuamente, a felicidade vai e vem, adoça nossa boca e salga nosso olhar. Acho que seria até patológico sentir-se feliz o tempo inteiro com tantas mazelas no mundo a nossa volta.

Porém, aqui neste espaço, me permito “ensimesmar-me”. Sim, pensar em mim como o centro do universo e me preocupar com meus sentimentos apesar da barbárie generalizada que me rodeia.  Permito-me em um ato de egoísmo puro e consciente, pensar: o que tenho feito com os meus dias? Tenho sido feliz? Quanta felicidade já tive? Quanta ainda me aguarda? Tenho cota finita de felicidade? Por que, a vida caprichosa, me mostra possibilidades e depois as impossibilita de forma cínica? Testes???

Há muito tempo que considero que a felicidade é uma questão de escolha. Posso decidir se vou ser feliz ou uma miserável sofredora, depende de como encaro os problemas... Onipotência? Ingenuidade? Não sei...

Já tive muitos momentos bastante felizes. Da infância não me recordo muito, mas já adolescente lembro-me do primeiro amor, dos encontros com amigos, da entrada na faculdade, estes momentos mais comuns à maioria das pessoas, já os mais pessoais e atuais, envolvem o olhar e a presença dos meus filhos, acordar com o cheiro de café, passear pela praia em um lindo dia de sol, a conversa sincera com uma amiga, na verdade não daria para elencar aqui todos os motivos, são muitos os momentos que me deixam feliz.

Sendo assim sou feliz o tempo todo... não sou?

Um amigo me disse uma vez:- Dani, seu problema é que você pensa demais!

Será?

É sim. Penso o tempo todo! E ultimamente tenho pensado que a felicidade é finita, cada pessoa tem uma cota na vida. Alguns têm mais que outros, mas não é assim com tudo? Porque não seria com a felicidade também?

Não que em um momento da vida a gente "acaba" de ser feliz, acho que o problema é que quando as situações que nos deixam feliz vão ficando cotidianas, passamos a banalizá-las, então a felicidade diminui e precisamos de novidades para nos sentirmos felizes novamente. Dai começamos a procurar a antiga sensação em diferentes lugares e em diferentes pessoas e claro, não achamos.

Foi isso que fiz nestes últimos quatro meses, coloquei minha felicidade nas mãos de outra pessoa e quando esta pessoa cruelmente, me disse que minha vida não se encaixava na dela, minha felicidade se foi.

Minha cota acabou? Será?

Acho (espero) que não...

Dai me resta a lição, e novamente a escolha.

Preciso aprender a renovar a felicidade  que já tenho em mim, se a vida me reserva novas cotas de felicidade, ótimo, mas não posso ficar esperando ela chegar, porque o tempo não pára. Ser feliz a cada momento com a felicidade que tenho em mim, e não com aquela idealizada.

"A dor é inevitável, o sofrimento opcional...." (Carlos Drumond de Andrade)




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